Que os corvos de Edgard Allan Poe fiquem em seu canto

Mestre da Literatura de terror, Edgard Allan Poe foi pioneiro na América neste gênero. Mas até que ponto este é interessante? Passar por suas portas é uma questão de escolha.

Edgard Allan Poe

A vida de Edgard Allan Poe desde sua infância foi problemática. Primeiro, seu pai o deixou ainda bebê e depois aos três anos sua mãe faleceu. Em seguida, foi adotado pela família Allan, um casal sem filhos, o motivo do primeiro sobrenome do autor. Demorou para ter escolaridade, embora aos 17 anos entrou na universidade de Virginia, que não durou muito. Seu primeiro livro surgiu durante uma vida de bebidas e jogos, quando também se alistou ao exército onde não permaneceu. Começou a escrever seus outros livros e publicá-los, trazendo-o fama e prêmios literários. Como redator ele não parava quieto em nenhum emprego, sendo o alcoolismo sua grande ancora. Casou-se com sua prima quando ela tinha 13 anos que morre de tuberculose anos depois. Contagioso que é, a tuberculose também não deixou Poe que morre em 1849. Suas obras ficaram sacramentadas na França por meio de Charles Baudelaire e daí para o mundo. O seu grande tradutor aqui no Brasil foi Machado de Assis que no tocante à obra realista se assemelha de alguma maneira à Edgard Allan Poe como em seu livro Dom Casmurro.

Sua visão literária de influencia

 

Se hoje existem histórias de detetive, foi porque Poe o criou, além de influenciar outros subgêneros da ficção cientifica e também na literatura fantástica. Ele deixa o gênero do conto mais apurado, e prega em sua vida que era muito melhor esse texto curto porque as coisas da do dia-a-dia podem interferir no processo do leitor. Até hoje livros, filmes e séries seguem as pegadas técnicas de Edgard Allan Poe.

Personagens taciturnos

 

Seus personagens eram amaldiçoados introspectivos da alta sociedade da época, cheios de atitudes obscuras – sempre andam no escuro de suas casas, rememorando e enchendo as próprias ideias do que não seria bom a uma pessoa normal. Era também o mal de sua época, o problema da socialização dos indivíduos, as matas não desbravadas tanto quanto a vida dos personagens afundando em seus problemas psicológicos. (Leia sobre o Início da Literatura Americana) Edgard Allan Poe via poesia nesse caos:

“A ciência ainda não nos disse se a loucura é ou não é sublime de inteligência”. Disse Edgard Allan Poe. Assustador que muitos estudos psicológicos de Poe até então se mostraram esclarecedor sobre distúrbios psicológicos, mostrando que psicopatas, sociopatas, narcisistas e empatas sombrios usam a sua inteligência para o mal. Sublime é somente para eles.

Os olhos de Edgard Allan Poe
 

Os olhos de Poe estavam voltados à metafísica, a profundidade do ser, e desses retratos realistas da sua contemporaneidade também muito ligado ao que viveu. Vê-se em seu histórico uma ausência da paternidade e maternidade, por mais que tivesse seus pais adotivos era o reflexo desse caos familiar, da ausência de cura, descambando ao buraco não só de seus personagens como também da própria vida, no relacionamento com o pai adotivo e o alcoolismo que o jogou na sarjeta após a morte da esposa.

The raven e sua repetição
 

Corvos são animais que repetem sons assim como os papagaios. Na América, era a alegoria da morte. Em seu poema The raven, um texto também traduzido por Machado de Assis, repete-se o trecho “É só isso e nada mais”, crescendo no texto como uma sonoplastia de um filme de Hitchcock. O fato da repetição seria talvez de alguém que o corvo estava replicando e isso torna o texto ainda mais tenebroso até grudar na mente do eu lírico e do próprio leitor. Esse poema tornou Edgard Allan Poe ainda mais famoso em sua época.

Apenas ecos e nada mais


O terror, quando se dá espaço, ele invade o interior de uma pessoa como o poema The Raven e a até mesmo seu criador. Poe ministra o que recebeu e o recebe quem quiser. Mas o segredo no tocante ao Terror, é fazer como os textos da Literatura Fantástica: antes que o mal venha, bata a porta na cara dele. No caso, do coração. Reconhecido o trabalho do autor, e considerando seu legado, que fique a melhor parte para os criadores de histórias e para aqueles que amam ficção. O tanto mais, é melhor não se envolver. O ensino é bom e o comentário também, pelo que não aconselho essa literatura porque, se foi uma ministração em Poe, pode ser em qualquer um.

REDATORA

Vandressa Holanda Gefali

Redação

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