O Surrealismo não compreendido que não é para se compreender

O movimento ao qual Salvador Dali pertenceu deixou legados para diversos artistas até hoje, desde pinturas à literatura, ela continua seu trajeto dos sonhos.

SURREALISMO

A década de 1920 floresceu expoentes da arte de vanguarda e suas várias ramificações extraordinárias de artistas que não se limitavam na criatividade. Primeiro vinha a ideia, depois, o manifesto como uma receita de como fazer aquele bolo ou uma desconstrução delas. É assim que o Surrealismo surgiu com as explorações do onírico, do inconsciente, quase um jogo de tabuleiro quadrimensional nas artes visuais, cinema e literatura.

Surrealismo e suas qualidades

No mundo surrealista o artista mergulhava num mar além do real onde o imaginário próprio dos sonhos é a aventura da cena.  A maioria dos quadros dessa vertente apresentam o onírico, e um bom sonhador sabe que, quando se dorme, tudo pode acontecer em seu desenvolvimento inapropriado do inconsciente. Tão criativos em suas obras, os autores usavam outras estratégias bem diferentes para criá-las, como fotomontagem, colagem, etc. Era fato, eles queriam ir além das mesmices de sua época. A influência estendeu seus braços até o Pop Art e o Expressionismo Abstrato.

Seus principais expoentes

Salvador Dalí é o artista clássico dos livros da escola quando se fala sobre o Surrealismo. Ele foi o que mais expressou o movimento e o fez progredir em todo mundo. Ele era um famoso esquisitão e tomava isso como uma identidade. O onírico comentado no início é muito próprio de Dalí e foi o seu legado, influenciando outros artistas pós-movimento. Ninguém pode deixar de falar do relógio derretendo que Dalí criou pois só em sonhos se imaginaria tal situação. Ainda que o artista fosse um dos mais conhecidos, foi André Breton, um escritor e crítico francês, o principal expoente do movimento. Era o líder intelectual do grupo e aquele que expandiu tais ideias. Ele promoveu o Surrealismo até o fim de sua vida. Já o pintor René Magritte era outro pintor que evocava a percepção em suas imagens e provocava o espectador no tocante a realidade e a lógica.

Pedro Páramo de Juan Rulfo

A dica literária para qualquer pessoa saber o sabor da Literatura Surrealista é Pedro Páramo de Juan Rulfo. As camadas da história deixam as mesmas sensações do questionamento de uma obra de Magritte ou Dalí. Este é o cenário da obra, em degradè com o Realismo Fantástico. Obra de 1955 ainda é um referencial de seu movimento literário e de sua estrutura narrativa. Embora aqui seja dito que o Surrealismo não é para se compreender, tente embarcar nessa história onde as ilhas da compreensão perambulam sobre a obra entre os espaços oníricos e aprecie o restante com moderação como quem curte um quadro de Salvador Dalí.

O bom uso dessa vertente

O Surrealismo, como visto acima, pode ter excelente mistura de sabor com estruturas narrativas do Fantástico Estranho e o Fantástico Maravilhoso já que tocam as portas do duvidoso de um universo onde relógios podem derreter e escadas podem ser invertidas em nossas ideias. Ela é própria para o universo da aventura, assim como o foi Alice do País das Maravilhas de Lewis Carroll ou no filme A Origem de Christopher Nolan. A ideia é ser extremamente criativo sem ser inverossímil e estranho para seu público. A Surrealismo é profundo e criativo e, se bem sonhado, todos podem sonhar.

REDATORA

Vandressa Holanda Gefali

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Instagram
WhatsApp