O Gênero Fantástico

O Fantástico é um gênero literário voltado às histórias cuja essência tem ramificações profundas sobre as personagens e seu meio.

GÊNERO FANTÁSTICO

Como surgiu o gênero fantástico

A atribuição de Fantástique surgiu em meados do século XVIII na Alemanha depois na Inglaterra, rompendo fronteiras e se impulsionando no período de estreia da Literatura ficcional na América com nomes bem conhecidos como Edgard Allan Poe, Nathaniel Hawthorne, e gerando outros bem conhecidos como H.P. Lovecraft, e atualmente Neil Gailman. Estes personagens vivem irrupções, quase um jump scared da mente, do inconsciente, do reprimido, e por isso se mantem em nossa época. Ainda que repleto do metafísico e de todo o seu extraordinário alucinógeno (ou não), possibilita certa conclusão com razão mesmo sendo uma “viagem da mente” do personagem.

O Fantástico e suas duas portas

O personagem do gênero Fantástico tem em si certa “hesitação”, “dúvidas” do que está acontecendo em sua vida, na sua trajetória, na sua casa, na sua família, em sua cidade. Ele ainda não tem explicações do que acontece, se aquele acontecimento é real ou do imaginário da cabeça da pessoa. Enquanto ele se encontra nesse questionamento, ainda permanece o Fantástico. Porém, quando há uma decisão ou comprovação em seu ser que aquilo é real ou não, o gênero se desmembra em dois subgêneros: O Estranho e o Maravilhoso.

O Fantástico Estranho

O Estranho é uma decisão ou comprovação de que não há alterações ou quando não sai do real. Um quase “tudo ok por aqui. Só foi a porta rangendo sem WD”. O desenho do Scooby Doo é um bom exemplo de uma investigação aterrorizante e fantasmagórica (Fantástico) que se desmembra sempre num enredo plano e repetitivo de uma quadrilha querendo assaltar o lugar e se fantasiava de monstros. No momento que há essa resolução, temos o subgênero Estranho.

O Fantástico Maravilhoso

O subgênero Maravilhoso ocorre no momento em que a dúvida no Fantástico é quebrada por testificar o acontecimento sobrenatural, aquele algo de outro mundo, real e agora faz parte das leis deste mundo natural. Um bom exemplo, mesmo que seja uma ficção cientifica, no filme De volta para o Futuro, o personagem de Martin Mcfly (Michael J.Fox) entra no DeLorean, que a máquina do tempo do Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd), e parte para o passado. Aqui vemos o Fantástico acontecendo já na pré-viagem do adolescente e decorrendo até o momento em que percebe que está em outra década consequentemente entrando no Maravilhoso: estava de fato na década de 50, não era sonho e que precisava voltar aos anos 80. Se fosse um sonho, partiria para o Estranho. Mas era Maravilhoso mesmo.

O gênero sobrevive em pormenores

Embora o crítico literário Tzvetan Podorov aponte em seu livro “As Estruturas Narrativas” que o gênero Fantástico “recebeu um golpe fatal” (pg. 166), ou seja, que morreu de algum modo mas renasceu de outro. Isso é pura verdade já que a ficção cientifica acompanhou essas portas dos desesperados. Espero que os futuros escritores usem essa estrutura para o bem, e é possível, ou bata a porta na cara das trevas para se estabelecer só no Fantástico. Não é bom estender o braço para o palhaço It já que ele veio do esgoto. Como diz no final do conto A história do demoníaco Pacheco de Jan Potocki:

“Você está zombando de nós porque está numa capela, mas venha um pouco aqui fora.”

“Já estou indo”, logo respondi.

Fui pegar minha espada e quis sair, mas achei que a porta estava fechada. Disse isso às assombrações, que nada responderam. Fui me deitar e dormi até amanhecer.

 

Calvino, Italo (2004-05-25T22:58:59.000). Contos fantásticos do século XIX . Companhia das Letras. Edição do Kindle.

REDATORA

Vandressa Holanda Gefali

Redação

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