Mobydick e o espírito profético

A história desse grande ser marinho está envolto de uma grande alegoria em seus pormenores e grita aos quatro mares que ninguém pode parar o seu poder.

Moby-dick

E foi assim que Herman Melville, escritor de Moby-Dick: or The Big Whale em sua época fundamental para a formação da Literatura Americana teve a ideia de escrever sobre esse grande ser: eles mesmo viveu a experiência de uma embarcação em alto-mar como marujo em diversas expedições. Depois de ser encorajado a escrever sobre sua aventura pessoal numa ilha no pacífico, escreveu seu livro de ficção chamado Typpe (Ou Taipi – na publicação em português). Escreveu mais alguns livros na mesma temática do mar entretanto seu sucesso de cauda longa foi Moby-Dick.

Nesse período do Romantismo Americano, o sentido de romance já não estava ligado ao relacionamento sentimental entre um homem e uma mulher e sim ao modo de contar uma história com agilidade cheia de significados e intenções alegóricas. É assim que Moby-Dick veio recheado de significados envoltos do profético-cristão mesmo que o autor não fosse um convertido. Mesmo sem querer, ele acertou no alto com uma das maiores obras literárias americanas.

Curiosidades

A primeira impressão de Moby-Dick foi um fracasso de vendas. Para nós, escritores, que já ouvimos outras histórias parecidas como essa, lembra-nos de não desistir. Afinal, fases são fases. Estações são estações. Sabemos que esse livro é vendido até hoje.

O livro é repleto de detalhes. Nessa época, não existia Streamings, resumo de obras, ou até mesmo a fotografia. As pinturas de pessoas eram gravuras que demoravam horas para serem elaboradas. Um escritor nessa época, precisava dar cada pormenor da obra em suas descrições. Em Moby-Dick além dessas descrições existem pensamentos profundos. Junte tudo e terá um livro com muitas páginas. Hoje, as técnicas mudam porque os pensamentos são outros a respeito de descrição. (Mas esse assunto deixaremos para outra redação…).


O contexto da história

A história é narrada em primeira pessoa pelo personagem Ishmael, um marujo que decide se aventurar pelos mares dentro de um Baleeiro (um barco adaptado para a caça de baleias) chamado Pequod onde o capitão Ahab lidera a tripulação. No ínterim da navegação, esse líder, de forma arrebatadora e de uma persuasão estupenda, convence seus marujos, um agrupamento de renegados de várias regiões e raças, a caçarem essa grande baleia conhecida como Moby-Dick por vingança por causa da sua perna mutilada por ela. A façanha da narrativa está envolto da maravilha e do real. Todos os subalternos morrem nessa decepcionante caçada, e Ahab fica cego, fere a perna e morre finalmente. O único que sobrevive é o narrador Ishmmael resgatado pela barca chamada Raquel.

 
Alegorias proféticas

Melville deve ter lido ou vivido, em algum momento de sua vida, textos bíblicos para introduzir significados notáveis em sua obra. Ishmael é o nome do filho da escrava Agar com Abraão, serva de Sara, que foi expulsa da casa do seu senhor e se refugiou no deserto. Ismael é a pai dos árabes, iranianos, sírios e de boa parte do Oriente Médio hoje.

O baleeiro Pequod já tem em seu nome a pré-disposição de extermínio já que esse era a nome da primeira tribo exterminada por colonizadores. Esse barco seria o pequeno mundo das ideias que querem permanecer navegando e dominando. Embarcações eram sinônimos de poder e conquista desde os descobridores.

Este era um barco para caçadores de Baleias. Na época de Melville a caça às baleias era um fundo lucrativo por elas fornecerem o óleo para acender as lamparinas já que na época não existia energia elétrica. Óleo é unção. Quem a possui ilumina a terra e também é caçado como os profetas bíblicos. A alegoria puxa para dentro desse grande ser a sua essência, caçada pela fúria dos pequenos mundos chamados baleeiros.

Ahab, o capitão do baleeiro Pequod, tem também o significado de Acabe, rei de Israel num dos períodos mais desviados da presença de Deus que o povo de Abraão, Isaque e Jacó poderiam ter vivido. Na história bíblica, ele era manipulado por sua mulher estrangeira Jezabel, que ergueu 400 profetas de Baal para estabelecer altares pagãos. Mas para cada Jezabel, existe um profeta Elias. Este desafiou aqueles profetas para saber qual Deus descia com fogo no altar – somente o altar de Elias pegou fogo, e a consequência foi a morte dos 400 profetas e a perseguição verbal de Jezabel contra Elias.

Elias é baleia Moby-Dick aonde o fogo cai sobre o óleo que se encendeia. Na história de Melville, Jezabel é a fúria perseguidora dentro da alma de Ahab, que levanta variedades de pessoas para matar a porção profética. Mataram-se baleias e mais baleias, até que se depararam com Moby-Dick. Portanto, Moby-Dick é a representação do mover profético que um Ahab nunca poderá parar. E o mais interessante: sempre terá um escriba para relatar a verdade: Ishmael viu o poder daquele grande ser pelo que não poderia deixar de anunciar.

 

Para concluir

Esta é uma definição sobre a arte narrada desse livro. As descrições bíblicas não apontam para esse entendimento dado pelo escritor, mas encaixam bem no intertexto da história de Israel. É grato saber como pode se encaixar de alguma maneira com esse entendimento. Por isso a semelhança entre esses pares não pode deixar de ser escrita. Espero que tenha tudo a ver. E viva Moby-Dick – a possuidora da unção.

REDATORA

Vandressa Holanda Gefali

Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Instagram
WhatsApp